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Vi esse video a um tempinho já, e desde esse momento queria um local para compartilha-lo.

É um video de trabalho de conclusão de curso do Senac,  da direção de Caio Silva Ferraz e trata da história da ocupação da cidade de São Paulo do ponto de vista do sistema hídrico. Acho que para todos nós que adoramos falar sobre esse tema e que, as vezes nos deparamos com falta de argumentos ou elementos, ele da uma boa ajuda e é bastante didático.

Para todos a idéia se apresenta muito lúdica porque não paramos para imaginar de verdade como seria a São Paulo da água, apesar de chama-la de Cidade da Garoa.

Tomem um tempinho porque vale a pena.

Bacio

Lembranças de Velhos

Bairro do Pari em 194etantos

 

Bom, meu TFG é sobre o Pari e, consequentemente, sobre a minha família e a minha avó, que mora aqui desde sempre na minha cabeça. E como eu estou na reta final e sem tempo de pensar em outros temas, vamos com um dos que estudei.

Tem um livro da Ecléa Bosi que chama “Memória e Sociedade – Lembranças de Velhos”. Ele é um livro muito legal por muitas razões, mas vou citar as duas principais, na minha humilde opinião. A primeira é que ele coloca a memória como um ponto chave na construção e destruição das cidades. De uma forma muito sensível, alia a construção coletiva do espaço com a construção mental individual de cada um. Eu dependo do outro para afirmar minhas memórias, e nos dependemos mutuamente para assegurar que elas continuem existindo. Quem já entrou na atlética da FAU e se sentiu muito melhor porque havia um amigo do sexto ano lá também entende o que estou falando. Quando temos com a gente uma pessoa que também vivenciou aqueles momentos, parece que lembrá-los juntos faz mais sentido. Que interesse um bixo tem no nosso primeiro interfau? Nenhum, e parece ser sem sentido ficar sozinho lá falando, como um velho.

E é isso que acontece com a cidade de São Paulo e tantas outras. Vem uma política dominada pela especulação imobiliária e sem nenhum tipo de controle e simplesmente destrói toda a memória do bairro, descaracterizando-o completamente, a ponto da comunidade que ali vive não ter condições financeiras e psicológicas de continuar naquele espaço. Afinal de contas, desconsiderando o alto preço das coisas, porque minha avó continuaria sozinha num bairro cheio de prédios, escritórios, sem padaria, sem os vizinhos jogando bocha aos domingos, sem os amigos conversando na porta de casa? Provavelmente ela iria morar com algum dos meus tios e adeus vida própria, adeus memória, adeus Pari. Achei muito foda isso, destruir a memória através da destruição física é um jeito muito comum e perverso de dominação de um povo. Afinal, não foi isso que Hausmann fez em Paris, destruindo as vielas e ruazinhas, deixando todas as ruas largas e com condições de passar um tanque de guerra? E mais que tudo isso, o mais interessante, ao construir grandes avenidas que se parecem com qualquer outro lugar do mundo, você se sente cosmopolita, se sente urbano, e perde o sentido de grupo que causam as revoluções. Somos apenas um na Faria Lima, mas não somos mais um no nosso bairro (falando do Pari).

É triste ver que São Paulo não tem memória.

(eu ia falar da segunda coisa mas ia ficar gigante, então fica como um teaser pro meu próximo post, quem sabe)

A Cidade Invisível

Há alguns anos atrás, ganhei de presente o livro As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino. Nunca havia cheirado, olhado e tateado uma gama tão grande de sensações em um só livro como este proporcionou. É realmente incrível como este autor consegue descrever de forma tão intensa e realista as impressões pessoais de locais imaginários (e outros nem tanto) como as cidades que existem neste livro.

Relembrar esse livro me ocorreu porque no dia 24 de setembro começou a exposição “Acampamento Ercília”, de autoria da artista plástica nova iorquina Swoon, cuja arte envolve intervenções urbanas.

Essa entrevista mostra bastante o que ela é. É um modo tão particular e delicado de ver as coisas! É exatamente o que o Calvino faz, ambos transparecem um pequeno pedaço do mundo deles, mas de forma espetacular.

O que mais me impressiona nessa artista é, além da questão da urbana, da cidade, a beleza que todo o trabalho dela apresenta.

É de uma sensibilidade tão aguçada, tão delicado para um ambiente tão hostil que é a cidade.

“Acampamento Ercília” foi inspirado no capítulo “As Cidades e as Trocas” de As Cidades Invisíveis, e trata-se da descrição da cidade de Ercília.

“Em Ercília, para estabelecer as ligações que orientam a vida da cidade, os habitantes estendem fios entre as arestas das casas, brancos ou pretos ou cinza ou pretos e brancos, de acordo com as relações de parentesco, troca, autoridade, representação. Quando os fios são tantos que não se pode mais atravessar, os habitantes vão embora: as casas são desmontadas; restam apenas os fios e os sustentáculos dos fios.

Do costado de um morro, acampados com os móveis de casa, os prófugos de Ercília olham para o enredo de fios estendidos e os postes que se elevam na planície. Aquela continua a ser a cidade de Ercília, e eles não são nada.

Reconstroem Ercília em outro lugar. Tecem com os fios uma figura semelhante, mas gostariam que fosse mais complicada e ao mesmo tempo mais regular do que a outra. Depois a abandonam e tranferem-se juntamente com as casas para ainda mais longe.

Deste modo, viajando-se no território de Ercília, depara-se com as ruínas de cidades abandonadas, sem as muralhas que não duram, sem os ossos dos mortos que rolam com o vento: teias de aranha de relações intrincadas à procura de uma forma.

A exposição “Acampamento Ercília”, que se encontra no vão do MASP, será uma exposição interativa.

Chegou ao meu conhecimento porque temos uma casa do Teto lá!

Esta foto foi tirada durante a montagem!

Colocarei mais fotos aqui quando visitar a exposição completa! Vão lá, pelo o que eu vi (parte dela) estava linda!!!!

Mulherada na arte de rua!

Eu curto muito grafite e ultimamente ainda mais. Acho que é uma das poucas formas de intervenção urbana que a gente vê pela cidade, uma forma de interagir com o espaço e de fazer com que esse espaço seja percebido de fato. Vivemos um tempo onde o espaço serve só como dinâmica de movimento, como o “acaso” que nos faz estar ali enquanto na verdade estamos querendo chegar em outro espaço, geralmente privado. Por isso não olhamos, não percebemos e não interagimos, como se não fosse nosso. E o grafite e toda a “street art” estão aí pra inverter um pouco essa lógica.

E se até algum tempo isso era coisa de muleque, vou mostrar três artistas que eu gosto muito e tenho acompanhado o trabalho.

A primeira é a Miso, uma  artista de herança ucraniana chamada Stanislava Pinchuk. Ela tem 21 anos e mora em Melbourne, Austrália. O trabalho que mais chama atenção são os lambe-lambe babushkas (avó, em russo), geralmente em pares, pelas ruas da cidade. As instalações, geralmente femininas, funcionam mesmo como “guardiãs” dos locais onde estão instaladas.

Outra que eu curto muito é uma sul africana que é conhecida como Faith47. Seus desenhos, super fortes e com uma alta carga de crítica social, foram depois mudando pras frases com caligrafias caprichadas que são as mais conhecidas hoje em dia (mas eu ainda preferia a outra fase).

Mesmo com esse apelido, ela disse o seguinte pra Zupi: “Eu não tenho fé em nada. Acredito que tudo é um vácuo, vazio. E ainda assim, tudo é cheio, ao mesmo tempo. Não tenho ilusões de uma religão que possa explicar o porquê de estarmos aqui. Talvez nós sejamos uma unidade com o universo em expansão e estejamos sendo teimosos e lutando contra esse fato, o que na realidade significa que estamos lutando contra nós mesmos. Algo assim”. Seguem as fotos!

Por fim, uma brasileira! A Magrela (ou http://www.magcrua.blogspot.com)é figurinha conhecida da cidade de São Paulo. Em praticamente todos os bairros tem algum desenhos de suas mulheres lânguidas, tristes, quase que se desmanchando pelos muros pálidos de SP (que poético isso #not). Se você começar a prestar atenção, vai ver uma das “magrelas” em todo o canto! A Sinhá também trabalha sempre com ela, mas isso fica pra sua pesquisa! rs

Essa menina largou o curso de Administração e foi desenhar, que era o que ela realmente curtia. E coloca um traço muito característico, sendo reconhecida em qualquer lugar. Agora também lançou umas peças de roupa (a Crua), assim mesmo no Facebook, com estampas lindas e provando que grafite é arte e também se transporta pra qualquer meio de expressão!

Essa é fácil de achar hein?

É isso galerê! Planos de intervir no meio urbano!!! Acaba logo TE-EFE-GE!!! Beijocas