Tristeza não tem fim, felicidade sim

Olá a todos.

Hoje o post vai ser curtinho porque a inspiração anda meio perdida de mim. Então, em vez de escrever, aí vai uma dica de um site muito legal!

Há algum tempo, tomei conhecimento de um projeto que propunha uma série de mini-documentários sobre a tristeza, não entendida de uma forma de dor, mas por um olhar poético. Recomendo a visita ao site do projeto, que se chama “O que é tristeza pra você”, através do link http://oqueetristezapravoce.com.br/. Recomendo ver todos os vídeos, são muito bons!

Em particular, o vídeo de Hélio Leites, o primeiro que assisti, me encanta pelo tema, pela fotografia, pelo olhar do autor, pela trilha sonora com participação do grande amigo Fê Sztok

Dani

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Vi esse video a um tempinho já, e desde esse momento queria um local para compartilha-lo.

É um video de trabalho de conclusão de curso do Senac,  da direção de Caio Silva Ferraz e trata da história da ocupação da cidade de São Paulo do ponto de vista do sistema hídrico. Acho que para todos nós que adoramos falar sobre esse tema e que, as vezes nos deparamos com falta de argumentos ou elementos, ele da uma boa ajuda e é bastante didático.

Para todos a idéia se apresenta muito lúdica porque não paramos para imaginar de verdade como seria a São Paulo da água, apesar de chama-la de Cidade da Garoa.

Tomem um tempinho porque vale a pena.

Bacio

Lembranças de Velhos

Bairro do Pari em 194etantos

 

Bom, meu TFG é sobre o Pari e, consequentemente, sobre a minha família e a minha avó, que mora aqui desde sempre na minha cabeça. E como eu estou na reta final e sem tempo de pensar em outros temas, vamos com um dos que estudei.

Tem um livro da Ecléa Bosi que chama “Memória e Sociedade – Lembranças de Velhos”. Ele é um livro muito legal por muitas razões, mas vou citar as duas principais, na minha humilde opinião. A primeira é que ele coloca a memória como um ponto chave na construção e destruição das cidades. De uma forma muito sensível, alia a construção coletiva do espaço com a construção mental individual de cada um. Eu dependo do outro para afirmar minhas memórias, e nos dependemos mutuamente para assegurar que elas continuem existindo. Quem já entrou na atlética da FAU e se sentiu muito melhor porque havia um amigo do sexto ano lá também entende o que estou falando. Quando temos com a gente uma pessoa que também vivenciou aqueles momentos, parece que lembrá-los juntos faz mais sentido. Que interesse um bixo tem no nosso primeiro interfau? Nenhum, e parece ser sem sentido ficar sozinho lá falando, como um velho.

E é isso que acontece com a cidade de São Paulo e tantas outras. Vem uma política dominada pela especulação imobiliária e sem nenhum tipo de controle e simplesmente destrói toda a memória do bairro, descaracterizando-o completamente, a ponto da comunidade que ali vive não ter condições financeiras e psicológicas de continuar naquele espaço. Afinal de contas, desconsiderando o alto preço das coisas, porque minha avó continuaria sozinha num bairro cheio de prédios, escritórios, sem padaria, sem os vizinhos jogando bocha aos domingos, sem os amigos conversando na porta de casa? Provavelmente ela iria morar com algum dos meus tios e adeus vida própria, adeus memória, adeus Pari. Achei muito foda isso, destruir a memória através da destruição física é um jeito muito comum e perverso de dominação de um povo. Afinal, não foi isso que Hausmann fez em Paris, destruindo as vielas e ruazinhas, deixando todas as ruas largas e com condições de passar um tanque de guerra? E mais que tudo isso, o mais interessante, ao construir grandes avenidas que se parecem com qualquer outro lugar do mundo, você se sente cosmopolita, se sente urbano, e perde o sentido de grupo que causam as revoluções. Somos apenas um na Faria Lima, mas não somos mais um no nosso bairro (falando do Pari).

É triste ver que São Paulo não tem memória.

(eu ia falar da segunda coisa mas ia ficar gigante, então fica como um teaser pro meu próximo post, quem sabe)