De Dentro e De Fora MASP

No Museu de Arte de São Paulo está ocorrendo a exposição “De Dentro e De Fora”. Essa exposição apresenta o trabalho de 9 artistas que se destacam no cenário internacional de exposições com uma arte considerada urbana, sendo eles Remed, JR e Invader da França, Tec, Defi e Chu da Argentina, Swoon dos Estados Unidos e Point da República Tcheca.

A exposição segue uma forte tendência de aproximação e atualização da arte urbana praticada hoje, tendo como antecessoras as exposições de 2010  “De Dentro para Fora/ De Fora para Dentro” no próprio MASP e a Primeira Bienal Internacional Grafite Fine Art que ocorreu no MuBE. Segundo o site do museu a exposição “De Dentro para Fora/ De Fora para Dentro” foi a principal responsável pela renovação do público e pela atração dos mais jovens, mostrando a necessidade de explorar e dar espaço para novas formas de arte, além daquelas já consagradas pela história.

Diferentemente de 2010, em que os artistas apresentados eram todos brasileiros, esse ano foi explorada a visão estrangeira, dando para os artistas convidados a liberdade de produzir com qualquer forma de mídia e com o trabalho colaborativo uma exposição após passarem um mês morando na cidade de São Paulo. Essa temática, na minha opinião, se mostrou complementar ao trabalho desenvolvido em 2010, onde os artistas Carlos Días, Daniel Melín, Ramon Martíns, Estephan Doitschinoff, Titi Freak e Zezão mostraram seus trabalhos pessoais e levaram o público tanto a analisar e refletir sobre as problemáticas urbanas quanto a apreciar e conhecer a forte influência da religião no norte do país, somando hoje, após as duas mostras, Brasil e São Paulo.

Além da nova temática que pude encontrar nos museus, nessas exposições encontrei também uma forma diferente de vivenciar a arte. Enquanto corria pelas obras sentia uma vontade grande de participar daquilo e intervir também, ao mesmo tempo percebia esse animo nas outras pessoas que falavam alto, tiravam fotos, tocavam nas obras, desenhavam em algumas e em outras até pulavam dentro. Para mim essa foi uma parte essencial, o público era parte do que estava exposto ali, nos poucos momentos em que o local se silenciou, parte do ânimo, parte das cores das obras perdeu graça.

Abaixo vai algumas fotos que tirei lá, mas como eu sou muito cabeçudo esqueci de levar a câmera e improvisei no ipod. Além disso indico a todos levar um caderno para desenhar como fiz outras vezes.

A exposição está em cartaz de 17/08 à 23/12/2011,

Local: Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Avenida Paulista 1578

Horário: Terça à Domingos, e feriados das 8:00 as 18:00, com excessão da quinta que é das 11h às 20h.

Valor: R$ 15,00. Estudante: R$ 7,00. Até 10 anos e acima de 60: livre.  Às terças-feiras: entrada gratuita.

Anúncios

Gui Mohallem

Hoje abre no MuBe a exposição Ensaio para a Loucura, do fotógrafo mineiro Gui Mohallem.

Mohallem tem ainda um blog  coletivo (IHI!) chamado Incubadora junto com os também fotógrafos Breno Rotatori e Felipe Russo onde eles compartilham o processo de construção de suas pesquisas e projetos.

A exposição é uma revisita ao retrato contemporâneo e ao movimento. Mohallem convida os amigos para os retratos e gira junto com eles, enquanto fotografa. Segue aqui o texto curatorial da exposição pra entender melhor:

As vertigens da loucura

O movimento suspende e desordena a narrativa do sujeito: não há rosto, não há roupas, não há traços além de um desordenado borrão de cor, onde a figura se mistura ao fundo, como que por derretimento. O movimento sacode e expõe, ao sublinhá-la ou permitir que seja abandonada, a interseção entre máscara e boa intenção em que vivemos. O movimento exclui o verbo, desestabiliza os termos do sujeito, abre a porta para a irregularidade; o movimento chega de surpresa e nós submergimos nele.

Tudo isso é obtido a partir de uma oferta, de um dos dois lados: o retratado em potencial lê sobre o projeto e se oferece para participar, ou um amigo é convidado. Amigo ou desconhecido, o retratado escolhe um cenário, e nele a foto acontece: gui segura-o pelo braço e começa a girá-lo e a girá-lo, como um lançador de martelo, e a fotografar no caos da rotação.

A firme mecânica que ocorre, bruta, entre os dois corpos (onde um se entrega – se abandona – ao movimento rotatório) faz com que o corpo rode, como as crianças rodam sozinhas em busca da tontura (em busca da instabilidade). Nos metamorfoseamos; imagem já não é nosso retrato: é um fantasma, uma coruja, uma gárgula fundida ao seu cenário – uma pura força cega como os gritos no A Balsa da Medusa; tudo torna-se um desvio, e nos esforçamos para sair do lugar indistinto (e fracassamos necessariamente); chegamos ao caroço da imagem ideal, a nossa imagem, e ela nos diz e não nos diz respeito. É como se o movimento de todas as horas passadas no lugar que escolhemos fossem condensadas, e então o retrato torna-se a molécula da imagem, um ponto mínimo onde o mais fundamental é combinado e reduzido à sua potência, e a força atômica da dor (em melancolia ou perversão) torna-se presente. E cá estamos nós, sem norte ou oriente, jogados como sob uma avalanche, e submersos. E cá estamos nós, perdidos.

Texto curatorial por Gabriel Bogosian

Aqui seguem também seu site –  http://guimohallem.com/

E seu Ficlkr – http://www.flickr.com/photos/gui_mohallem

Vale a visita!

O que? Ensaio para a Loucura, exposição individual de Gui Mohallem
Quando?
Abertura dia 03.09.2011 :: visitação de 04.09.2011 até 02.10.2011 de terça a domingo, das 10h às 19h.
$?
Grátis
Onde?
MuBE :: Sala Burle Marx :: Avenida Europa, 218 – São Paulo, SP

O olhar de Van Gogh

Desde sempre esse pintor me fascina. Seja pelas suas cores vibrantes, pelo pincelado marcado ou pelo objeto retratado: simples mas intenso. Lembro de uma das primeiras vezes que fui ao MASP com a escola e me deparei com um quadro de Vincent Van Gogh, que ele pintou no Asilo de Saint Remy, aonde ficou internado por um bom tempo. Impressionante como só o banco é sólido e todo o restante da paisagem parece flutuar.

Essa atmosfera meio irreal das telas de Van Gogh, sobretudo quando ele retrata o céu, sempre me fez pensar em como esse pintor holandês era capaz de enxergar. O brilho das luzes e estrelas, a materialização do vento, a falta de solidez do chão seriam uma representação de um olhar único para o mundo?

Aliás, como as pessoas enxergam o mundo? Da mesma maneira que eu? Não quero aqui fazer uma alusão ao filtro social que cada um tem em seu olhar, que enxerga através de uma cultura e visão de mundo apreendidas ao longo de suas existências. Mas como as pessoas de fato enxergam? Como elas focalizam? o que elas priorizam no olhar? como se retratam as cores? São as mesmas que eu vejo?

Me peguei ontem, olhando as fotos de longa exposição do fotógrafo australiano Lincoln Harrison, publicadas pelo Folha online. Elas me lembraram os quadros de Van Gogh. Seria o pintor capaz de enxergar a variável tempo, captadas pelas lentes do fotógrafo? Acho que não. De qualquer jeito, as fotos, para mim, trazem à tona mais um belo exemplo de como cada um é capaz de olhar para o seu mundo e representá-lo à sua maneira.

(margens do lago Eppalock, no Estado de Victoria, no sudoeste da Austrália, por Lincoln Harrison, publicada em http://www1.folha.uol.com.br/bbc/968764-fotografo-australiano-registra-rastro-de-estrelas-no-ceu.shtml)

Daniela Zilio

David Hockney Cameraworks

Este artista, nascido em 1937 em Bradford, Yorkshire, se destacou em diversas formas de representar uma realidade vivida, uma paisagem, um objeto, uma cena cotidiana…Usava a pintura, desenho, litografia, técnicas digitais, etc, mas a forma que, a meu ver, mais se destacou, é a representação de tais cenas por meio da colagem de fotografias digitais ou polariode. Era uma maneira de representar bidimensionalmente o espaço tridimensional.

photographic collagephotographic collagecomposite polaroid

É incrível imaginar a concretização deste trabalho, em que pequenas peças fazem um todo. Cada pequena foto com sua especial importância em seu contexto e que ganha mais força e entendimento à medida em que se encaixa com as demais. Na minha opinião, isso resume perfeitamente a idéia da força de um Coletivo.