Le Petit Nicolas

De uns tempos pra cá acho que tenho andado com o instinto materno aflorado porque tenho achado fofas todas as crianças que vejo. Mas não é por isso que escolhi este post.
Também tenho visto muitos filmes ultimamente, e decidi escrever sobre este que eu vi semana passada. O pequeno Nicolau, inspirado na obra escrita de mesmo nome de Jean-Jacques Sempé,o filme também é francês. Mas não é uma recomendação o que pretendo aqui, provavelmente não seja um filme que agrade a qualquer um, e no Brasil inclusive foi lançado como um filme infantil, embora eu acredito que não seja.
Contando com os personagens básicos, o gordinho, o riquinho e o nerds, toda a trama se desenvolve a partir da escuta de trechos de conversas dos adultos que misturados com toda a criatividade da mente dos protagonistas gera um roteiro completamente não plausível para qualquer adulto, mas muito real para as crianças.
Dai, vendo o filme eu fiquei com uma sensação muito boa de como é incrível as vezes não entender tudo que se passa ao seu lado, em ter como seu mundo a sua casa e seus amigos do colégio, ter como a maior preocupação do dia fugir da professora chata, não ter noção dos problemas da sua família, só ficar muito feliz quando seu pai chega em casa.
Também, outra coisa que é mostrada no filme e que as muitas vezes esquecemos, é relacionar-se com pessoas sem interesse nenhum, o gordinho, o rico, e os outros são apenas moleques, ninguém é mais amigo do riquinho, ou o acha mais interessante. Parece meio banal, mas eu acho que para os adultos é tão difícil! Não digo interesses óbvios, mas todo mundo quer ser simpático com o chefe, respeita com muito mais facilidade uma pessoa que tem grana, e por ai vai…Sempre precisamos parecer mais interessantes, mais atraentes do que realmente somos para pensarmos que somos mais amados e mais admirados, por isso me fez muito bem ser lembrada de que é possível ter alguma coisa mais sincera as vezes.

Do outro lado: Istvan Banyai e Life in a day

Duas produções incríveis passaram na minha vida essa semana e me fizeram sentir sensações bastante parecidas. Uma um livro e outra um filme. E me fizeram pensar como muitas vezes esquecemos o quanto o mundo é grande e nós somos pequenos, apenas uma parte dessa grande e incrível rede que interliga todo o planeta.

Bom, vamos lá. Segunda-feira estava passeando pela lojinha do espaço Unibanco como quem não quer nada, esperando o filme começar e me deparei com esse livro. Acho que por causa do meu tfg o título acabou chamando minha atenção, mas depois que comecei a folhear, percebi a genialidade da coisa.

O livro se chama “O outro lado” de um ilustrador e fotógrafo húngaro chamado Istvan Banyai, e ele mostra com desenhos, em uma página o que existe de um lado, e quando viramos a página o que estava do outro. É difícil explicar, mas ele constrói belíssimas narrativas com um traço simples e muita leveza ao contar a história. Por exemplo, em uma página vemos uma menina que observa um aviãozinho de papel no céu, e na outra página vemos o menino jogando os aviões. Dessa maneira o livro vai prendendo nossa atenção, passeamos pelas páginas sempre querendo saber o que está do outro lado.

A descrição no site da Livraria Cultura explica bem: “Dependendo do ponto de vista, a mesma situação pode ter infinitas percepções diferentes, prova de que nem tudo é exatamente o que parece ao primeiro olhar. Um inteligente jogo de enigmas ganha complexidade a cada página e instiga o leitor a questionar sua própria realidade. As ilustrações desafiam o leitor a desvendar todos os ‘outros lados’; dentro e fora, em cima e embaixo, quente e frio, perto e longe, claro e escuro, ficção e realidade. Curioso e estimulante, é um livro feito sob medida para pessoas atentas aos detalhes”.

Algumas imagens e embaixo o site com a descrição do livro:

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?isbn=8575036734

Já o filme, chegou até mim por um amigo querido, e acabei assistindo quinta-feira da mesma semana. Ele chama “Life in a day”, e foi criado a partir de 80 mil videos, 4500 horas de filmagens, vindas de 192 países diferentes. Vou explicar melhor. A ideia veio de uma parceria entre o YouTube, a Ridley Scott Associates e a LG, que anunciaram no dia 06 de julho de 2010 que quem quisesse participar poderia mandar um vídeo sobre o que aconteceu na sua vida no dia 24 de julho de 2010. Depois de receber essa tonelada de imagens do mundo todo o diretor Kevin Macdonald e o editor do filme Joe Walker organizaram e produziram um filme de aproximadamente 94 minutos, que mostra essa diversidade incrível de informação. Uma coisa bem interessante é que todos os autores das imagens escolhidas são creditados como co-diretores.

Além do lance surreal de ser algo feito de maneira coletiva, depois que assisti o filme fiquei mergulhada nessa sensação de como o mundo é grande, como pode tudo isso ser verdade e ter acontecido no mesmo dia! 24 horas de história! E isso é tão pouco pra história da Terra!

Bom, vale conferir! Aqui fica o link do Youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=JaFVr_cJJIY&feature=watch-now-button&wide=1&has_verified=1&oref=http%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fl.php%3Fu%3Dhttp%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DJaFVr_cJJIY%26feature%3Dwatch-now-button%26wide%3D1%26has_verified%3D1&h=qAQF4R6ULAQHYu-buv9wzlz781R_edmULpTwIYqXpWNAYvg

Favela Rising

O Gabs, aqui mesmo no blog, me sugeriu de ver o filme “O poder de um Jovem” (The Power of One, 1992) e eu gostei muito. Não vou entrar muito nos méritos dele, mas se passa na África do Sul e é sobre a Apartheid. Logo após terem voltados de uma das regiões/ bairros/ cidade (não sei muito bem como eram definido as divisões) destinado aos negros, Maria (branca, filha de um dos pais da Apartheid), em sua mansão, conversa com P.K. (também branco, é o protagonista) e ela diz que não imaginava as condições que os negros moravam, achava que era como ela, mas em casas um pouco menores. Esses bairros negros, morfologicamente falando, eram favelas.

Deste que eu voltei, tenho na minha cabeça a idéia de conhecer mais a realidade ridícula de nosso país, porque acho que somos como a Maria, acho que não sabemos a realidade de tantas pessoas ao nosso redor vivem. Sua empregada doméstica, meu porteiro, aquele cobrador, a tia da cantina, a moça do café e o cara da xérox não vivem em casas como as nossas, só um pouco menor, mas vivem em habitações nada saudáveis, em favelas.

Não é muito difícil pensar porque nos acho ignorantes. Quantas vezes não falamos ou ouvimos comentários sobre como a África sofre e como deveríamos ajudá-la, mas ao mesmo tempo temos milhões de favelados no Brasil. Cara, a gente tem a Indústria da Seca no nordeste!

Como é criada uma imagem que todo favelado* é o Zé Pequeno, evitamos o máximo possível entrar em contato e o que sabemos dessas habitações é o que vemos na TV e, é claro, nunca ligamos as imagens da telinha com a realidade e achamos que nossas faxineiras moram em casas como as nossas, só um pouco menores…

Agora tenta imaginar uma história assim:

Você mora em uma favela e seu irmão acaba sendo assassinado em uma chacina. O que você faz? Explodiria tudo? Bom, o Anderson Sá teve uma idéia relativamente simples e uma força de vontade monstruosa.

No meio de tudo, de uma chacina com o irmão envolvido, ele pensou que formando um grupo social cultural musical ele afastaria as pessoas do tráfico e violência, trazendo uma proposta de futuro melhor. Não é uma idéia simples? Basicamente é o que falam todos os dias que devia ser feito, dar oportunidade aos favelados. Mas o cara foi lá e fez, isso é incrível. O tal grupo é o AfroReggae e essa história é registrada no documentário Favela Rising e essa é a dica do meu post de hoje, em véspera de prova de PEF. Assistam amiguinhos!!

* Reparou que peso a palavra “favelado” trás com ela, violência e tudo de pior.

OBS: Adivinha qual solução os negros pensaram para combater a miséria e a Apartheid, ah… educação…

Arquitetura e Cadeia Alimentar

Buenas,

hoje decidi comentar um filme que vi já faz um bom tempo, peguei enquanto passeava pelos canais da tv. O longa The Architect retrata a história de um arquiteto/professor/pai de família e o processo de reestruturação de um conjunto habitacional de sua autoria. A trama ou tensão do filme começa quando uma moradora deste local comparece a uma aula em que o nosso companheiro de profissão esta falando exatamente das delicadezas de um projeto e sua relação com a vida ali presente.

É muito interessante ver o desenrolar de cada diálogo da história que mostra diferenças claras entre necessidade, realidades e intenções.

Esse tema me interessa intensamente – saber até que ponto o que deve prevalecer é   traço da lapiseira ou o da vida de cada indivíduo. Neste momento em que ainda nos encontramos, da descrença da sociedade em nossa função devemos nos perguntar se o que deve mudar são nossos clientes ou se somos nós mesmos. Como aproximar a cultura brasileira (em grande escala, não apenas a que aparece por ai nas bancas) da arte que tanto amamos e defendemos devemos esperar que eles se apaixonem pelas mesmas coisas que nós, nos rendermos aos seus anseios ou crescermos juntos em um equilíbrio ainda não encontrado.

Pensando sobre isso, metaforizei (sim! eu ainda sei o que é isso) – imagei um animal, o Arkitettus Camelopardalis que não consegue se inserir na cadeia alimentar da região em que habita e a culpa incessantemente pela sua falta de espaço, logo sua fome e a sua solidão.

Ao mesmo tempo e talvez de maneira mais otimista me utilizo as palavras do mestre centenário, que relativiza essas reflexões e nos lembra que todas essas questões arquitetônicas ainda estão em segundo plano.

“A vida é importante; a Arquitetura não é. Até é bom saber das coisas da cultura, da pintura, da arte. Mas não é essencial. Essencial é o bom comportamento do homem diante da vida.”

– Oscar Niemeyer

Ganhos do Animamundi

 

Olás!. Esse post foi escrito meio às pressas, já que eu não tive muito tempo para pesquisas e me dei conta que tinha de escrevê-lo e agendá-lo, ou meu dia ficaria vazio…

Por isso, pensando em um post rápido e interessante, lembrei de um curta que assisti no Animamundi de 2010, se não me engano. Gosto muito do Animamundi, acho o evento interessante, inteligente e interativo de uma maneira que crianças e adultos se divertem da mesma maneira. Aprecio muito quando alguma coisa é capaz de cativar pessoas de todos os tipos, idades etc..

Pois bem. Nesse animamundi, assisti à premiação e, dentre eles, o vídeo “Madagascar: carnet de voyage” (Madagascar: caderno de viagem) – do francêes Bastien Dubois -, eu achei particularmente incrível. Primeiro, pela extensa gama de técnicas de desenho utilizadas, bem como a gente faz com anotações de viagem, cada uma em um papel, com a caneta ou lápis que arranja, com muito tempo ou em dois minutos.

Eu havia acabado de voltar do meu mochilão de 2 meses e fracassara na tentativa de registrar as minhas experiências em desenhos. Confesso que essa arte eu não domino (e muito pouco faço para aperfeiçoá-la, confesso). Essa animação, nesse sentido, é muito feliz, tanto pela técnica quanto pelo roteiro e poesia. Para mim, ela é leve e densa ao mesmo tempo. Ela é quase como ler um livro de Guimarães Rosa, em que eu tantas vezes me vi rir e chorar no mesmo parágrafo 9sem exagero, foi assim a minha leitura de Manoelzão e Miguelin, mas essa é outra história). e a trilha é muito boa também.

Apreciem!

 

 

 

Um pouco de cinema

Você já se perguntou como as pessoas piram e ficam controláveis em massa? A loucura do fato de uma torcida xingar, brigas e até matar outra pessoa só por torcer por outro time? A existência dos Hooligans? Genocídios como em Ruanda em 1994*? Ou não sei, hipoteticamente seguir um líder com ideologias de massacre de seus diferentes, como o Hitler e seu Holocausto. Claro, isso são só alguns exemplos e até descarto outros momentos históricos pela diferença de mentalidade da época, como o maior genocídio da história, ou seja, a exterminação dos povos nativos americanos pelos espanhóis e portugueses. A minha questão não é qual é a pior ou maior loucura do homem, mas sim como pessoas comuns e normais mudam sua mentalidade quando estão em massa.

Em Berlim, existe o “Memorial aos Judeus Mortos da Europa”, projeto feito em homenagem às vítimas judias do Holocausto. 2.711 blocos irregulares de concreto formam a paisagem no térreo e no seu subsolo há uma espécie de museu que entre suas salas (uma contando a história do Holocausto, número de vítimas, regiões mais dominadas, história de famílias, etc.) há uma com os últimos relatos de algumas vítimas. Trechos de diários antes de serem presos, dentro dos campos, antes de serem mortos e até um homem que era obrigado a trabalhar para os nazistas e sabia o quão horrível eram seus atos, mas não podia fugir. Essa sala é incrivelmente emocionante, infelizmente para o mal.

Bom, vou parar de rodar e chegar aonde quero.

 

Logo na entrada do museu, há uma frase do Primo Levi:

 

 

 

 

 

 

 

 

Será? Até que ponto conseguimos repetir nossas irracionalidades? Pois bem, existe um filme que fala muito disso e de como as massas são facilmente controladas, como as pessoas são facilmente controladas. Para mim é assustador e ainda acrescento um fato: ele é baseado em fatos reais.

 

O filme se passa em uma escola alemã que propõe uma semana de aulas sobre um tema. Para infelicidade de um professor anarquista, ele é escolhido para ensinar Autocracia à sua turma. Seus alunos são desinteressados pelo tema já que acreditam que é impossível repetir o que o país sofrera com Hitler. É nesse contexto que o professor resolve demonstrar como funciona uma Autocracia e é aí que podemos ver como o ser humano é controlável e que podemos repetir coisas terríveis. Segue o trailer.

 

A ONDA (DIE WELLE) – Alemanha, 2008**

Direção: Dennis Gansel

Reportagem da folha da história que deu origem ao filme (Não o leia caso você ainda não viu o filme).

 

Não, eu não quero ser pessimismo com a humanidade, então vou sugerir outro filme para ver.  É a história real de Roberto Carlos Ramos. Eu já conhecia sua história e adorei o filme.

O trailer fala melhor, mas só um resumo: a história é uma criança de família pobre que é mandado para a FEBEM onde diziam ser um centro ideal para formação infantil de crianças. Lá ele é considerado irrecuperável e sofre todas as desgraças que a FEBEM oferece até que ele conhece uma francesa que resolver ajudá-lo.

O filme não tem aquele ar global que broxa em muitos filmes, na verdade é muito bem feito e com partes engraçadas. Eu acho que é um bom exemplo que base e educação fazem as pessoas crescerem e, com elas crescendo, um país cresce. FICA A DICA.

 

O Contador de Histórias – Brasil, 2009

Direção: Luiz Villaça

*Representado em dois ótimos filmes: Hotel Ruanda (2004) e Tiros em Ruanda (2005).

**Agradeço ao Grazzi por me falar desse filme.