Acquedotto Felice

Olá amiguinhos e amiguinhas,

Final de semestre é aquela correria de sempre e junto com greve, estágio e o maledetto PEF, logo não fiquei muito tempo preparando meu post. Então vou colocar para vocês verem esse simpático vídeo que um amigo de um amigo fez sobre o Aqueduto Felice, de Roma.

O vídeo faz parte de uma proposta de estudo do entorno próximo do aqueduto, seus moradores, paisagens, etc. É legal que o viaduto começa no perímetro da cidade histórica e corre pela periferia, então é uma visão diferente do que temos da cidade romana.


Deu uma vontade de comer gnocchi e tomar um sorvete!

Anúncios

Favela Rising

O Gabs, aqui mesmo no blog, me sugeriu de ver o filme “O poder de um Jovem” (The Power of One, 1992) e eu gostei muito. Não vou entrar muito nos méritos dele, mas se passa na África do Sul e é sobre a Apartheid. Logo após terem voltados de uma das regiões/ bairros/ cidade (não sei muito bem como eram definido as divisões) destinado aos negros, Maria (branca, filha de um dos pais da Apartheid), em sua mansão, conversa com P.K. (também branco, é o protagonista) e ela diz que não imaginava as condições que os negros moravam, achava que era como ela, mas em casas um pouco menores. Esses bairros negros, morfologicamente falando, eram favelas.

Deste que eu voltei, tenho na minha cabeça a idéia de conhecer mais a realidade ridícula de nosso país, porque acho que somos como a Maria, acho que não sabemos a realidade de tantas pessoas ao nosso redor vivem. Sua empregada doméstica, meu porteiro, aquele cobrador, a tia da cantina, a moça do café e o cara da xérox não vivem em casas como as nossas, só um pouco menor, mas vivem em habitações nada saudáveis, em favelas.

Não é muito difícil pensar porque nos acho ignorantes. Quantas vezes não falamos ou ouvimos comentários sobre como a África sofre e como deveríamos ajudá-la, mas ao mesmo tempo temos milhões de favelados no Brasil. Cara, a gente tem a Indústria da Seca no nordeste!

Como é criada uma imagem que todo favelado* é o Zé Pequeno, evitamos o máximo possível entrar em contato e o que sabemos dessas habitações é o que vemos na TV e, é claro, nunca ligamos as imagens da telinha com a realidade e achamos que nossas faxineiras moram em casas como as nossas, só um pouco menores…

Agora tenta imaginar uma história assim:

Você mora em uma favela e seu irmão acaba sendo assassinado em uma chacina. O que você faz? Explodiria tudo? Bom, o Anderson Sá teve uma idéia relativamente simples e uma força de vontade monstruosa.

No meio de tudo, de uma chacina com o irmão envolvido, ele pensou que formando um grupo social cultural musical ele afastaria as pessoas do tráfico e violência, trazendo uma proposta de futuro melhor. Não é uma idéia simples? Basicamente é o que falam todos os dias que devia ser feito, dar oportunidade aos favelados. Mas o cara foi lá e fez, isso é incrível. O tal grupo é o AfroReggae e essa história é registrada no documentário Favela Rising e essa é a dica do meu post de hoje, em véspera de prova de PEF. Assistam amiguinhos!!

* Reparou que peso a palavra “favelado” trás com ela, violência e tudo de pior.

OBS: Adivinha qual solução os negros pensaram para combater a miséria e a Apartheid, ah… educação…

Os tipos de espaços públicos

Quero aproveitar meu dia de postar para levantar uma questão muito presente no tema do meu TFG – Apropriação e Qualidade do Espaço Público.

 Tenho analisado diferentes tipos de espaços públicos e claro que a problematização já começa com a tentativa de definir o que são, de fato, estes espaços. Na verdade não é exatamente esta questão que quero abordar e sim o que são estes espaços dentro de cada contexto, cada país, cada cultura.

Em determinada situação de meus estudos surgiu a questão que, enquanto na Europa, por exemplo, os espaços públicos são espacialmente definidos como locais onde há uma infra-estrutura que promove a apropriação do espaço por parte dos usuários, aqui em São Paulo ( local escolhido para intervenção no meu TFG) os principais locais tidos como públicos, visto estes como locais que propiciam encontros, lazer e interação entre pessoas, são principalmente aqueles que possuem também características privadas, como bares, cafés, shoppings centers, enfim, em sua maioria locais relacionados a alguma forma de consumo. Não estou dizendo que isso é uma verdade incontestável, pelo contrário, quero saber a opinião de vocês sobre isso, porque é um assunto que tenho pensando muito.

As cidades e o desejo

“No centro de Fedora, metrópole de pedra cinzenta, há um palácio de metal com uma esfera de vidro em cada cômodo. Dentro de cada esfera, vê-se uma cidade azul que é o modelo para uma outra Fedora. São as formas que a cidade teria podido tomar se, por uma razão ou outra, não tivesse se tornado o que é atualmente. Em todas as épocas, alguém, vendo Fedora tal como era, havia imaginado um modo de transformá-la na cidade ideal, mas, enquanto construía o seu modelo em miniatura, Fedora já não era mais a mesma de antes e o que ate ontem havia sido um possível futuro hoje não passava de um brinquedo numa esfera de vidro.

Agora Fedora transformou o palácio das esferas em museu: os habitantes o visitam, escolhem a cidade que corresponde aos seus desejos, contemplam-na imaginando-se refletidos no aquário de medusas que deveria conter águas do canal (se não tivesse sido dessecado), percorrendo no alto baldaquino a avenida reservada aos elefantes (agora banido da cidade), deslizando pela espiral do minarete em forma de caracol (que perdeu a base sobre a qual se erguia).

No atlas do seu império, ó grande Khan, devem constar tanto a grande Fedora de pedra quanto as pequenas Fedoras das esferas de vidro. Não porque sejam igualmente reais, mas porque são todas supostas. Uma reúne o que é considerado necessário, mas ainda não o é; as outras, o que se imagina possível e um minuto mais tarde deixa de sê-lo.”

 

“Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra.

– Mas qual é a pedra que sustenta a ponte? – pergunta Kublai Khan.

– A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra – responde Marco -, mas pela curva do arco que estas formam.

Kublai Khan permanece em silêncio, refletindo. Depois acrescenta:

– Porque falar das pedras? Só o arco me interessa.

Polo responde:

– Sem pedras, o arco não existe”.

 

 Italo Calvino

As cidades invisíveis (Le città invisibili)

Companhia das Letras

Artigo seguinte

Vi esse video a um tempinho já, e desde esse momento queria um local para compartilha-lo.

É um video de trabalho de conclusão de curso do Senac,  da direção de Caio Silva Ferraz e trata da história da ocupação da cidade de São Paulo do ponto de vista do sistema hídrico. Acho que para todos nós que adoramos falar sobre esse tema e que, as vezes nos deparamos com falta de argumentos ou elementos, ele da uma boa ajuda e é bastante didático.

Para todos a idéia se apresenta muito lúdica porque não paramos para imaginar de verdade como seria a São Paulo da água, apesar de chama-la de Cidade da Garoa.

Tomem um tempinho porque vale a pena.

Bacio

Lembranças de Velhos

Bairro do Pari em 194etantos

 

Bom, meu TFG é sobre o Pari e, consequentemente, sobre a minha família e a minha avó, que mora aqui desde sempre na minha cabeça. E como eu estou na reta final e sem tempo de pensar em outros temas, vamos com um dos que estudei.

Tem um livro da Ecléa Bosi que chama “Memória e Sociedade – Lembranças de Velhos”. Ele é um livro muito legal por muitas razões, mas vou citar as duas principais, na minha humilde opinião. A primeira é que ele coloca a memória como um ponto chave na construção e destruição das cidades. De uma forma muito sensível, alia a construção coletiva do espaço com a construção mental individual de cada um. Eu dependo do outro para afirmar minhas memórias, e nos dependemos mutuamente para assegurar que elas continuem existindo. Quem já entrou na atlética da FAU e se sentiu muito melhor porque havia um amigo do sexto ano lá também entende o que estou falando. Quando temos com a gente uma pessoa que também vivenciou aqueles momentos, parece que lembrá-los juntos faz mais sentido. Que interesse um bixo tem no nosso primeiro interfau? Nenhum, e parece ser sem sentido ficar sozinho lá falando, como um velho.

E é isso que acontece com a cidade de São Paulo e tantas outras. Vem uma política dominada pela especulação imobiliária e sem nenhum tipo de controle e simplesmente destrói toda a memória do bairro, descaracterizando-o completamente, a ponto da comunidade que ali vive não ter condições financeiras e psicológicas de continuar naquele espaço. Afinal de contas, desconsiderando o alto preço das coisas, porque minha avó continuaria sozinha num bairro cheio de prédios, escritórios, sem padaria, sem os vizinhos jogando bocha aos domingos, sem os amigos conversando na porta de casa? Provavelmente ela iria morar com algum dos meus tios e adeus vida própria, adeus memória, adeus Pari. Achei muito foda isso, destruir a memória através da destruição física é um jeito muito comum e perverso de dominação de um povo. Afinal, não foi isso que Hausmann fez em Paris, destruindo as vielas e ruazinhas, deixando todas as ruas largas e com condições de passar um tanque de guerra? E mais que tudo isso, o mais interessante, ao construir grandes avenidas que se parecem com qualquer outro lugar do mundo, você se sente cosmopolita, se sente urbano, e perde o sentido de grupo que causam as revoluções. Somos apenas um na Faria Lima, mas não somos mais um no nosso bairro (falando do Pari).

É triste ver que São Paulo não tem memória.

(eu ia falar da segunda coisa mas ia ficar gigante, então fica como um teaser pro meu próximo post, quem sabe)

Descobrir uma cidade nova

Ontem, em uma conversa que tive com alguns amigos deste ColetivoMS, surgiu um tema que, por diversas razões, tem sido muito presente no meu dia-a-dia. Falavamos sobre diferentes formas de se sentir uma cidade ao conhecê-la em uma viagem.

No meu caso em particular, apesar de gostar muito da sensação de simplesmente andar e me perder por uma cidade, de descobrir lugares inesperados onde menos se imagina, na maioria das vezes utilizo um guia turístico para, claro, me guiar. Entretanto, tenho pensando muito em outras formas de ser “guiado” pela cidade, sem que haja o risco de me tornar um fantoche de algo que alguém escreveu ou julgou ser interessante em determinado lugar. Cada visitante possui uma personalidade e não se pode generalizar estes diferentes tipos de curiosidades. Em meio a isso, comecei a pensar e a ouvir sobre diferentes formas para se fugir dessa situação generalizadora dos guias turísticos.

 Existe uma coleção de livros chamada Cantos do Rio, da Editora Relume Dumará. São pequenos livros que possuem textos ou canções escritas por compositores ou escritores sobre certos bairros ou locais do Rio de Janeiro. Me pareceu incrível a sugestão de conhecer um lugar, turístico ou não, guiada pelos olhos de alguém de tanta sensibilidade e de tentar sentir o que o escritor sentiu naquele momento vivido. Alguns destes livros podem ser encontrados em sebos virtuais.

Outro exemplo são os guias escritos por Ian Nairn, especificamente para Londres (Nairn´s London – 1966) e Paris (Nairn´s Paris – 1968), em que a descrição da cidade se mescla a um postura crítica, com a intenção de mostrar o vigor de uma cidade onde há cultura. Nairn foi um renomado jornalista que escrevia, entre outros temas, sobre arquitetura e urbanismo. Estes guias foram escritos para guiar o leitor pelos seus pontos favoritos na cidade, o que lhe chamava a atenção no dia-a-dia e locais que frequentava no cotidiano. Imagino que seja um tipo de guia muito mais pessoal e para pessoas que gostem de reconhecer as peculiaridades e detalhes das grandes cidades.

Há também diários de bordo de diversos artistas, cheios de croquis e anotações, e inúmeras músicas que falam de cidades, ou ainda, outra forma de que gosto muito é o conhecer uma cidade por meio dos livros. Quando estive em Barcelona, li um livro, La sombra del Viento, cuja história também se passava ali. Foi um ótimo guia, porque, além de despertar minha curiosidade para conhecer diferentes locais da cidade que nele são citados, alguns lugares se tornaram verdadeiros pontos turísticos pessoais, por ser, por exemplo, o local onde uma personagem morava ou algo assim.

Tudo isso para dizer que há diversas maneiras de se relacionar com uma cidade. Às vezes, podemos nos identificar muito mais com outras formas de descobrir uma cidade, na busca de uma vivência mais afetiva com ela.