A Cidade Invisível

Há alguns anos atrás, ganhei de presente o livro As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino. Nunca havia cheirado, olhado e tateado uma gama tão grande de sensações em um só livro como este proporcionou. É realmente incrível como este autor consegue descrever de forma tão intensa e realista as impressões pessoais de locais imaginários (e outros nem tanto) como as cidades que existem neste livro.

Relembrar esse livro me ocorreu porque no dia 24 de setembro começou a exposição “Acampamento Ercília”, de autoria da artista plástica nova iorquina Swoon, cuja arte envolve intervenções urbanas.

Essa entrevista mostra bastante o que ela é. É um modo tão particular e delicado de ver as coisas! É exatamente o que o Calvino faz, ambos transparecem um pequeno pedaço do mundo deles, mas de forma espetacular.

O que mais me impressiona nessa artista é, além da questão da urbana, da cidade, a beleza que todo o trabalho dela apresenta.

É de uma sensibilidade tão aguçada, tão delicado para um ambiente tão hostil que é a cidade.

“Acampamento Ercília” foi inspirado no capítulo “As Cidades e as Trocas” de As Cidades Invisíveis, e trata-se da descrição da cidade de Ercília.

“Em Ercília, para estabelecer as ligações que orientam a vida da cidade, os habitantes estendem fios entre as arestas das casas, brancos ou pretos ou cinza ou pretos e brancos, de acordo com as relações de parentesco, troca, autoridade, representação. Quando os fios são tantos que não se pode mais atravessar, os habitantes vão embora: as casas são desmontadas; restam apenas os fios e os sustentáculos dos fios.

Do costado de um morro, acampados com os móveis de casa, os prófugos de Ercília olham para o enredo de fios estendidos e os postes que se elevam na planície. Aquela continua a ser a cidade de Ercília, e eles não são nada.

Reconstroem Ercília em outro lugar. Tecem com os fios uma figura semelhante, mas gostariam que fosse mais complicada e ao mesmo tempo mais regular do que a outra. Depois a abandonam e tranferem-se juntamente com as casas para ainda mais longe.

Deste modo, viajando-se no território de Ercília, depara-se com as ruínas de cidades abandonadas, sem as muralhas que não duram, sem os ossos dos mortos que rolam com o vento: teias de aranha de relações intrincadas à procura de uma forma.

A exposição “Acampamento Ercília”, que se encontra no vão do MASP, será uma exposição interativa.

Chegou ao meu conhecimento porque temos uma casa do Teto lá!

Esta foto foi tirada durante a montagem!

Colocarei mais fotos aqui quando visitar a exposição completa! Vão lá, pelo o que eu vi (parte dela) estava linda!!!!

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