Le Petit Nicolas

De uns tempos pra cá acho que tenho andado com o instinto materno aflorado porque tenho achado fofas todas as crianças que vejo. Mas não é por isso que escolhi este post.
Também tenho visto muitos filmes ultimamente, e decidi escrever sobre este que eu vi semana passada. O pequeno Nicolau, inspirado na obra escrita de mesmo nome de Jean-Jacques Sempé,o filme também é francês. Mas não é uma recomendação o que pretendo aqui, provavelmente não seja um filme que agrade a qualquer um, e no Brasil inclusive foi lançado como um filme infantil, embora eu acredito que não seja.
Contando com os personagens básicos, o gordinho, o riquinho e o nerds, toda a trama se desenvolve a partir da escuta de trechos de conversas dos adultos que misturados com toda a criatividade da mente dos protagonistas gera um roteiro completamente não plausível para qualquer adulto, mas muito real para as crianças.
Dai, vendo o filme eu fiquei com uma sensação muito boa de como é incrível as vezes não entender tudo que se passa ao seu lado, em ter como seu mundo a sua casa e seus amigos do colégio, ter como a maior preocupação do dia fugir da professora chata, não ter noção dos problemas da sua família, só ficar muito feliz quando seu pai chega em casa.
Também, outra coisa que é mostrada no filme e que as muitas vezes esquecemos, é relacionar-se com pessoas sem interesse nenhum, o gordinho, o rico, e os outros são apenas moleques, ninguém é mais amigo do riquinho, ou o acha mais interessante. Parece meio banal, mas eu acho que para os adultos é tão difícil! Não digo interesses óbvios, mas todo mundo quer ser simpático com o chefe, respeita com muito mais facilidade uma pessoa que tem grana, e por ai vai…Sempre precisamos parecer mais interessantes, mais atraentes do que realmente somos para pensarmos que somos mais amados e mais admirados, por isso me fez muito bem ser lembrada de que é possível ter alguma coisa mais sincera as vezes.

Reflexões sobre nosso ensino

Outro dia fui ver a apresentação de tese de mestrado de uma amiga da minha mãe, que é professora da rede de ensino público e estava apresentando o seguinte trabalho na PUC:”O novo currículo de ciências físicas e biológicas do estado de são Paulo”.
Era basicamente uma avaliação sobre a proposta curricular que entrou em vigor no estado de SP em 2008. O estudo buscava investigar como isso foi absorvido nas salas de aula, pois trata-se de uma cartilha que diz exatamente o que o professor deve fazer em classe, independente do material que tenha disponível e as especificidades dos alunos de cada escola. Bom, isso me impressionou um pouco, o governo espera que TODOS os estudantes do estado façam os mesmos exercícios, leiam as mesmas frases, tenham as mesmas perguntas etc. Não se trata de um conteúdo básico que deve ser ensinado e será cobrado em provas tipo vestibular, mas sim de pensar que todos os professores vão ler as mesmas frases, fazer as mesmas brincadeiras, estimular os alunos da mesma forma e esperar que os alunos dêem um retorno igual e já pré determinado por esta cartilha. Me pareceu demasiada padronização do ser humano. E isso foi somado a uma outra parte do estudo dela que também me chamou muita atenção, um estudo sobre a historia do ensino de biologia ( ela é professora de biologia) que eu não lembro direito, só lembro de duas fases:
– biologia como estudo do espaço (no período da guerra fria), ou seja, nesse período o Estado jugava mais importante o estudo do espaço, astros, planetas etc, do que outras partes da biologia devido a tudo que ocorria no período.
– biologia sendo sinônimo de sustentabilide (período atual) porque é um dos maiores assuntos em pauta hoje em dia.
Dai eu fiquei pensando, você é uma criança de 10 anos de idade e dependendo do período que você nasceu, voce vai aprender sobre planetas mais do que corpo humano, ou sobre água mais do que planetas, e voce não tem noção nenhuma de que isso foi determinado por inúmeras questões, muitas delas políticas, que estão muito acima de você, e talvez nem sua professora tenha essa noção. Quer dizer, nós não temos noção da infinidade de fatores que está acima de cada indivíduo e que determina uma parte do que ele é. Fiquei pensando que existe uma padronização da qual não se pode fugir, que vem de fora pra dentro, e que vai muito além de moda, corte de cabelo, cor de sei la o que, é sobre o que cada indivíduo é, ou pensa que é.
Bom, essa foi só uma reflexão que tive depois de ver a apresentação da tese, não pretendo de chegar numa resposta…..mas pelo menos fiquei feliz que uma das conclusões do trabalho era que o aspecto de padronização do aprendizado fracassou pois a maior parte dos professores usa a cartilha como uma prescrição do que deve ser feito em sala, mas acrescenta outros pontos, conforme o que possui de recursos em mãos e conforme o conhecimento que tem de seus alunos.

Esculturas em Chicago

Uma cidade que eu gostei muito de conhecer foi Chicago, e a presença de diversas esculturas nos parques e ruas da cidade foi um aspecto que me chamou bastante atenção. Duas dessas esculturas me atraíram muito, ambas dentro do Grand Park. A primeira do escultor Anish Kapoor  é a Cloud Gate, também conhecida como feijão pelos habitantes da cidade devido ao seu formato inegavelmente parecido com um feijão. A escultura foi inspirada em mercúrio liquido e é feita de aço inoxidável extremamente polido, isso faz com que ela seja um espelho da cidade. O que me pareceu mais bacana é que é uma escultura muito interativa, atrai uma multidão de pessoas e parece pedir para que se ponha a mão nela. É uma diversão para os que estão no parque e para os inúmeros fotógrafos amadores, qualquer um sente vontade de fotografar em ângulos diferentes e conferir o resultado!

A outra escultura, de Magdalena Abakanowicz, me pareceu mais introspectiva, apesar de ser bastante interativa também. Esta artista realizou diversos trabalhos com a forma humana com a reflexão da individualidade X massificação. Ao se caminhar pela escultura presente em Chicago, formada por diversos corpos gigantes é possível pensar sobre o fato de ser apenas um pequeno indivíduo entre milhões de pessoas.