Mudando paradigmas da Educação

O meu post de hoje vai ser mais interativo. E, a partir daí, acredito que vai ser mais interessante. Pelo menos, foi o que eu achei quando eu vi o vídeo (veja logo abaixo) pela primeira vez.

Antes de mais nada, as apresentações: trata-se de uma palestra do educador Sir Ken Robinson, que fala sobre a importância da educação nos dias de hoje. Changing Education Paradigms, mais especificamente, discorre sobre a maneira em que ela é passada para praticamente todas as crianças e jovens do mundo. No entanto, tão interessante quanto a palestra em si, é a maneira como a organização RSA optou por transmiti-la.

Ao entrar no site da RSA, a primeira frase a aparecer é “Ideas and actions for a 21st century enlightenment”. Na minha opinião, a palestra de Robinson é uma ótima amostra de que esse é mesmo o objetivo da organização, trazer criatividade para o nosso modo de pensar e agir. Ao transformar uma “simples” palestra numa animação, cria-se um novo jeito de captar a atenção do espectador. Funcionou comigo, pelo menos.

Antes de mostrar o vídeo, queria compartilhar mais uma curiosidade: toda informação transmitida que memorizamos pode vir através de diversas formas, sendo a mais comum, a auditiva (lembre-se agora do seus professores falando qualquer coisa com a classe, vai ser útil ao assistir o vídeo). Porém, é comprovado que a “comunicação auditiva” é apenas 9% eficiente , no sentido de captar tal informação e levá-la para o cérebro. Já a “comunicação visual” tem um índice de 75% de eficiência. A combinação das duas, “audio-visual”, traz o índice de 84%. Ou seja, é exatamente isso que essa palestra animada nos traz.

Enfim, o vídeo!

Alguns trechos da palestra:

“The problem is they [os países] are trying to meet the future by doing what they did in the past. And on the way they are alienating millions of kids who don’t see any purpose in going to school. When we went to school we were kept there with the story, which is if you worked hard and did well and got a college degree you’d have a job. Our kids don’t believe that, and they are right not to by the way. You are better having a degree than not, but it’s not a guarantee anymore.”

“Divergent thinking isn’t the same thing as creativity. I define creativity as the process of having original ideas which have value. Divergent thinking isn’t a synonym, but it’s an essential capacity for creativity. It’s the ability to see lots of possible answers to a question. Lots of possible ways of interpreting a question.”

Eu posso dizer que esse vídeo é um bom exemplo do que Sir Ken Robinson quis dizer na sua palestra. Eu realmente aprendi alguma coisa ao vê-lo, qualitativamente falando, foi muito mais do que os anos de colégio que tive. Algo pra se pensar.

Para a transcrição completa: http://filmenglish.files.wordpress.com/2010/12/transcript-sir-ken-robinson.pdf

RSA: www.thersa.org

Desenhando a sua própria cidade

No meu último aniversário, ganhei um presente muito bacana, daqueles que você fala: “Nossa, que legal! Como ninguém pensou nisso antes?”.

Nós, arquitetos, quando vamos viajar, temos essa idéia fixa que a única idéia de se conhecer realmente uma cidade é andando por ela, por suas avenidas, ruas, ruelas, enfim. Somos aversos aos convencionais city-tours, o melhor a se fazer e esmiuçar a cidade a pé, de metrô ou ônibus. Não me entendam mal, eu mesma sou adepta a essa prática, mas acredito também que estamos cercados de estereótipos da arquitetura e frases feitas que ao invés de nos permitir novos aprendizados, acabam nos alienando, tornando o arquiteto uma pessoa extremamente blasé. Ou pra falar o português correto, boçal.

Mas essa discussão fica para a próxima.

Então, para aqueles que, como eu, pegam um mapa da cidade em questão e simplesmente saem andando, o escritório de design austríaco Walking Chair lançou um livro que possui uma idéia brilhante: o Urban Gridded Notebook.

Trata-se de um livro que, ao invés de palavras, possui mapas. E, quando eu digo mapas, eu digo apenas linhas e mais linhas que desenham a cidade. Nenhum nome de avenida, rua, ruela, nem linhas de metrô ou ônibus. Nem a númeração das páginas ele possui. Quer dizer, a numeração vem em algumas páginas, senão o livro não seria muito prático.

São cidades do mundo todo (e, antes que você pergunte, não, não tem São Paulo): Tokio, Nova York, Viena, Amsterdam, Paris, Hong Kong, Belo Horizonte, entre muitas outras, para se visitar e anotar tudo o que o dono do livro quiser: algum parque, uma livraria, uma loja, sei lá, o que você quiser escrever, desenhar. Os mapas são únicos em cada livro, são as cidades sob o ponto de vista de cada “leitor”.

Foi um presente muito legal que eu ganhei, agora só preciso preenchê-lo.

O Walking Chair possui outras produções bacanas, vale conferir em www.walking-chair.com

A natureza de Nigel Peake

Há um mês atrás, mais ou menos, estava numa loja e me deparei com livro que me chamou muita atenção. A capa colorida, as linhas feitas à mão e o título, que num primeiro momento, confundi com outra coisa. In The Wilds – Drawings by Nigel Peake.

Formado em arquitetura, Nigel Peake passou grande parte de sua vida no campo, no norte da Irlanda. Como ele mesmo diz, no livro, “no meio do nada”. Mas era esse “meio do nada” a única realidade – e paisagem – que ele conheceu por muito tempo. É impressionante o quanto é possível sentir a emoção de um artista através da sua arte, quando ela é verdadeira. Durante a introdução do seu livro (aliás, a única parte narrativa com palavras de fato), Nigel conta sobre a sua vida no campo, a sua relação com a natureza, com os seus vizinhos, com a sua família. Enfim, como o fato de ele ter nascido e vivido ali o tornaram a pessoa que ele é.

 

A segunda parte da narrativa vem por meio dos seus desenhos. E, novamente, é encantador: a técnica, a meticulosidade, a percepção do total e dos detalhes, quase que de maneira obsessiva. Tudo o que ele diz na introdução é perceptível nos capítulos seguintes. Por meio de desenhos feitos à mão (com lápis, tinta e aquarela), Nigel representa a paisagem de acordo com as estações do ano; com as diferentes plantações e a época de colheita. Há também desenhos de animais e até a sua interpretação do canto de um pássaro.

Eu sou uma pessoa da “cidade grande” e posso contar nos dedos quantas vezes fui para o campo. Mas diferente de Nigel Peake, o meu olhar ainda não é suficiente para descrever com tanta propriedade essa vida caótica e incansável que São Paulo nos oferece. Mais do que enxergar o que está à nossa frente, é traduzir tudo isso numa emoção, num sentimento que se transforma em arte. No caso de Nigel, suas lindas ilustrações.

“At the moment I live in the middle of nowhere in Ireland and lead an incredibly simple life of working all day and then sleeping.”

Fica a dica para quem se interessar. E fica também a inspiração.

Obrigada, Nigel.