Tristeza não tem fim, felicidade sim

Olá a todos.

Hoje o post vai ser curtinho porque a inspiração anda meio perdida de mim. Então, em vez de escrever, aí vai uma dica de um site muito legal!

Há algum tempo, tomei conhecimento de um projeto que propunha uma série de mini-documentários sobre a tristeza, não entendida de uma forma de dor, mas por um olhar poético. Recomendo a visita ao site do projeto, que se chama “O que é tristeza pra você”, através do link http://oqueetristezapravoce.com.br/. Recomendo ver todos os vídeos, são muito bons!

Em particular, o vídeo de Hélio Leites, o primeiro que assisti, me encanta pelo tema, pela fotografia, pelo olhar do autor, pela trilha sonora com participação do grande amigo Fê Sztok

Dani

Conflitos

Eu tinha um post pronto para hoje, mas, dadas as circunstâncias desta semana, não poderia postá-lo e me calar sobre os últimos acontecimentos. mesmo porque o assunto é um só: conflitos.

A ideia inicial era trazer pro blog uma discussão sobre a crise de Wall Street. Depois pensei em completar (não o fiz) fazendo um paralelo com os conflitos da chamada Primavera Árabe (resolvi manter o post por falta de tempo hábil em elaborá-lo junto com essa discussão inicial).

Acontece que eu venho há meses assistindo – na mídia e na internet – os conflitos e a repressão à população revoltosa em países árabes com regimes autoritários: o Estado, para se manter no poder, usa todas as suas forças para tal, inclusive se voltando contra o seu povo, por meio de repressões policiais e militares violentas, ocasionalmente (ou frequentemente) terminando em mortos, mas, certamente, terminando com muitos feridos e uma população humilhada, desprovida de seus direitos (o que eu considero ser um direito, mesmo não sendo necessariamente compreendido como tal naqueles governos) de manifestação, de liberdade de se expressarem e reivindicarem melhorias.

Nesse meio tempo, o movimento Occupy Wall Street e as grandes manifestações no mundo ocidental ganharam força frente à crise mundial iniciada em 2008 e que ameaça a estabilidade econômica de países e de blocos mundiais, bem como as medidas de austeridade impostas pelo FMI como contrapartida aos empréstimos de recursos monetários exorbitantes, em troca de uma política econômica de retração, de contenção de ações sociais, etc. (confesso que conheço muito pouco sobre o assunto).

Se, anos atrás (nossa, já faz mais de uma década!) no Brasil, nos calamos frente às imposições do FMI e sua política neoliberal que terminou de esfacelar as poucas conquistas sociais deste estado patrimonialista, o povo dos países que sofrem com a chamada Crise do Mundo Desenvolvido não se cala. Não vem ao caso discutir aqui as diferenças entre nós e eles, que nos levaram a ações tão distintas. Fato é que as reivindicações nos EUA e na Europa fizeram crescer uma população, composta sobretudo por jovens, de manifestantes permanentes nos espaços públicos, que exige com muita energia, melhorias sociais.

A partir disso, meu post inicial seguia fazendo relações de como o Estado age também nos EUA contra a sua população revoltosa.

Aqui cabe o aparte quanto aos acontecimentos da semana: a reintegração de posse violenta do prédio da Reitoria da USP foi tão brutal quanto às ações do governo líbio ou sírio durante a Primavera Árabe, ou mesmo contra os manifestantes do Occupy. Não quero aqui entrar no mérito se a ocupação da Reitoria era legítima ou não, se o motivo dos estudantes terem se rebelado era pela presença opressiva da PM no Campus ou sobre a legalização da maconha. Agora isso já não tem mais importância.

Reintegração de posse na USP (08/11/2011). Arma pesada contra estudante.

Provou-se o poder bélico do nosso estado! Exagerei? Acredito que não. A imagem da arma apontada para a estudante é uma imagem tão chocante que fala por si: não é essa a ação policial que eu quero na minha sociedade. Mesmo se fosse um bandido. Não é assim que eu quero que a polícia da minha cidade aja para promover a segurança da cidade onde eu moro. Mesmo quem descumpre a lei deve ser tratado com respeito. Principalmente pela polícia, que é a “mantenedora da ordem”, que é a responsável pela paz e segurança, e por tirar das ruas os criminosos (?).

Pois bem. Que ordem é essa que queremos? Que sociedade é essa que, ao redor do mundo, não importa se em regime ditatorial ou democrático, vale-se do poder bélico do Estado para coibir, coagir e silenciar seu povo, para liquidar à força e sem diálogo os conflitos urbanos e sociais inerentes ao sistema que ele próprio mantém? Como podemos nos calar frente a tanta barbárie? Sim. Barbárie, porque quando o Estado cala o diálogo, fecha toda e qualquer possibilidade de acordo de seus conflitos, é impossível que se busque a paz e a segurança. Nem dentro dos muros da escola.

A cenas de ontem me chocaram, bem como os relatos dos alunos que ali estavam, a frieza com que a operação (de guerra) foi montada pelo Reitor e pelo Governador. Diante de todas essas medidas, é preciso não se calar. É preciso gritar cada vez mais alto até que se possa ser ouvido, não importa por qual idioma, em qual cultura ou regime sócio-político. Pelos direitos humanos, pelos direitos básicos de manifesto, de livre expressão, de reivindicações sociais, chega de usar as armas da polícia e partamos, por favor, ao debate (este sim, profundo e caloroso) intelectual e político.

(Sobre o conflito na USP, recomendo – por compartilhar da opinião deles mas, sobretudo, por serem sérios e não meras expeculações e sensacionalismos midiáticos –  dentre as muitas coisas que li, o texto do Marcelo Rubens Paiva http://blogs.estadao.com.br/marcelo-rubens-paiva/geracao-mascarada/ e o texto do Matheus Pichonelli http://www.cartacapital.com.br/blog/sociedade/ocupacao-patetica-reacao-tenebrosa/#.TrslDlJRMNR.facebook)

Crise em Wall Street (o post original para este dia)

Tanto a crise do Sub-Prime quanto as suas consequências desde 2008 têm me despertado particular interesse, mesmo que eu não entenda exatamente todo esse processo macroeconômico.

As manifestações na Espanha e o movimento Occupy Wall Street mostram o outro lado dessa crise, mais humano, mais palpável para mim, que sou leiga no assunto.

o site oficial da ocupação de Wall Street é o http://occupywallst.org

Em particular, recomendo esse vídeo, sobre o 1o mês completado do movimento. http://occupywallst.org/article/where-do-we-go-here/

Outro vídeo que assisti na internet, fazia um paralelo entre a violência policial de repressão ao Occupy e o discurso de Barack Obama e Hillary Clinton pela liberdade de expressão e de manifestação e democracia ao criticarem veementemente a violência utilizada pelos governos para reprimir a Primavera Árabe.

Esses dias, em discussão com uns amigos, me passaram um vídeo que explica, com desenhos e de forma leve, o início da cirse do sub-prime, que arrasou os EUA e ameaça o mundo capitalista.

Segue o link: http://crisisofcredit.com/

Ganhos do Animamundi

 

Olás!. Esse post foi escrito meio às pressas, já que eu não tive muito tempo para pesquisas e me dei conta que tinha de escrevê-lo e agendá-lo, ou meu dia ficaria vazio…

Por isso, pensando em um post rápido e interessante, lembrei de um curta que assisti no Animamundi de 2010, se não me engano. Gosto muito do Animamundi, acho o evento interessante, inteligente e interativo de uma maneira que crianças e adultos se divertem da mesma maneira. Aprecio muito quando alguma coisa é capaz de cativar pessoas de todos os tipos, idades etc..

Pois bem. Nesse animamundi, assisti à premiação e, dentre eles, o vídeo “Madagascar: carnet de voyage” (Madagascar: caderno de viagem) – do francêes Bastien Dubois -, eu achei particularmente incrível. Primeiro, pela extensa gama de técnicas de desenho utilizadas, bem como a gente faz com anotações de viagem, cada uma em um papel, com a caneta ou lápis que arranja, com muito tempo ou em dois minutos.

Eu havia acabado de voltar do meu mochilão de 2 meses e fracassara na tentativa de registrar as minhas experiências em desenhos. Confesso que essa arte eu não domino (e muito pouco faço para aperfeiçoá-la, confesso). Essa animação, nesse sentido, é muito feliz, tanto pela técnica quanto pelo roteiro e poesia. Para mim, ela é leve e densa ao mesmo tempo. Ela é quase como ler um livro de Guimarães Rosa, em que eu tantas vezes me vi rir e chorar no mesmo parágrafo 9sem exagero, foi assim a minha leitura de Manoelzão e Miguelin, mas essa é outra história). e a trilha é muito boa também.

Apreciem!

 

 

 

Moda, modos e sexualidade na história do Brasil

Voltei a ler romances e coisas não relacionadas à arquitetura ou ao urbanismo. Mas como cabeça de arquiteto respira arquitetura até no meio do mar (eu, pelo menos, sou meio assim), queria comentar um pouco as minhas percepções sobre minha leitura atual.

Estou lendo um livro chamado “Histórias Íntimas – Sexualidade e Erotismo Na História do Brasil”, de Mary Del Priore. Ela conta como eram as relações amorosas e sexuais desde o Brasil colonial e suas transformações ao longo dos séculos, muitas delas pautadas pelas características peculiares à história do Brasil e outras importadas por uma exaltação europeia ou mesmo porque na Europa se avançava em pesquisas e relações sociais, o que o Brasil incorporou por diversas razões.

Por outro lado, Richard Sennett (uma das minhas leituras de faculdade) apresenta em dois livros, por outros vieses, as relações sociais na vida urbana, no séc. XVII e XIX. Se Sennett traz um olhar pro espaço urbano e pro homem público, Mary Del Priore desvenda a esfera privada no íntimo familiar (deixando claro que Sennett trata da Europa, sobretudo de Paris e Londres, enquanto Mary escreve sobre o Brasil).

Algo que eu acho muito interessante nessa leitura é perceber o quanto os espaços públicos e os momentos de aparição pública refletem um momento da sociedade, as relações entre os indivíduos e a opressão à mulher nessa sociedade.

Se, no séc. XIX, há uma exaltação à vida privada, da privacidade, como descrito em “O Declínio do homem público” de Sennett, dessa mesma forma há uma criminalização ao prazer feminino. Se as mulheres podem ir à ópera, em uma exposição pública no templo da burguesia, elas não podem ser vistas desacompanhadas, mesmo que seus maridos possam aparecer publicamente com outras mulheres, haja vista o papel crucial do poder e da potência do homem e a função reclusa de procriadora da mulher. E, se as “mulheres da sociedade” vão ao teatro cheias de pudor, é com as atrizes e com as prostitutas que os homens se divertiam depois do espetáculo. Às mulheres, a reclusão, o pudor, os romances burgueses; aos homens, a liberdade e o orgasmo.

Da mesma forma, as rápidas transformações do começo do séc. XX, o automóvel, a fábrica, a velocidade, são acompanhadas – dialeticamente – pela exclusão do uso do espartilho, em um primeiro momento pela liberdade das curvas (as godinhas de Renoir, de Degas), depois pela descoberta dos benefícios da ginástica e o progressivo culto a corpos esbeltos (visto pelas telas de modigliani) até chegar hoje à cultura a uma magreza extrema.

“Não se associava mais o redondo das formas – as ‘cheinhas’ – à saúde, ao prazer, à pacífica prosperidade burguesa que lhes permitia comer muito, do bom e do melhor. A obesidade começa a tornar-se um critério determinante da feiura, representando o universo do vulgar, em oposição ao elegante, fino e raro. (…) A gordura opunha-se aos novos tempos, que exigiam corpos ágeis e rápidos. A magreza tinha mesmo algo de libertário: leves, as mulheres moviam-se mais e mais rapidamente, cobriam-se menos, com vestidos mais curtos e eestreitos, estavam nas ruas” (Mary Del Priore: “Histórias Íntimas – Sexualidade e Erotismo Na História do Brasil”, p. 115-116).

Perceber as relações sociais no urbano, a partir de elementos da sociologia, da moda, dos espaços produzidos; ter essa mudança de olhar, de visão de mundo, foram, talvez, o ganho mais sensível da graduação.

O olhar de Van Gogh

Desde sempre esse pintor me fascina. Seja pelas suas cores vibrantes, pelo pincelado marcado ou pelo objeto retratado: simples mas intenso. Lembro de uma das primeiras vezes que fui ao MASP com a escola e me deparei com um quadro de Vincent Van Gogh, que ele pintou no Asilo de Saint Remy, aonde ficou internado por um bom tempo. Impressionante como só o banco é sólido e todo o restante da paisagem parece flutuar.

Essa atmosfera meio irreal das telas de Van Gogh, sobretudo quando ele retrata o céu, sempre me fez pensar em como esse pintor holandês era capaz de enxergar. O brilho das luzes e estrelas, a materialização do vento, a falta de solidez do chão seriam uma representação de um olhar único para o mundo?

Aliás, como as pessoas enxergam o mundo? Da mesma maneira que eu? Não quero aqui fazer uma alusão ao filtro social que cada um tem em seu olhar, que enxerga através de uma cultura e visão de mundo apreendidas ao longo de suas existências. Mas como as pessoas de fato enxergam? Como elas focalizam? o que elas priorizam no olhar? como se retratam as cores? São as mesmas que eu vejo?

Me peguei ontem, olhando as fotos de longa exposição do fotógrafo australiano Lincoln Harrison, publicadas pelo Folha online. Elas me lembraram os quadros de Van Gogh. Seria o pintor capaz de enxergar a variável tempo, captadas pelas lentes do fotógrafo? Acho que não. De qualquer jeito, as fotos, para mim, trazem à tona mais um belo exemplo de como cada um é capaz de olhar para o seu mundo e representá-lo à sua maneira.

(margens do lago Eppalock, no Estado de Victoria, no sudoeste da Austrália, por Lincoln Harrison, publicada em http://www1.folha.uol.com.br/bbc/968764-fotografo-australiano-registra-rastro-de-estrelas-no-ceu.shtml)

Daniela Zilio