Os tipos de espaços públicos

Quero aproveitar meu dia de postar para levantar uma questão muito presente no tema do meu TFG – Apropriação e Qualidade do Espaço Público.

 Tenho analisado diferentes tipos de espaços públicos e claro que a problematização já começa com a tentativa de definir o que são, de fato, estes espaços. Na verdade não é exatamente esta questão que quero abordar e sim o que são estes espaços dentro de cada contexto, cada país, cada cultura.

Em determinada situação de meus estudos surgiu a questão que, enquanto na Europa, por exemplo, os espaços públicos são espacialmente definidos como locais onde há uma infra-estrutura que promove a apropriação do espaço por parte dos usuários, aqui em São Paulo ( local escolhido para intervenção no meu TFG) os principais locais tidos como públicos, visto estes como locais que propiciam encontros, lazer e interação entre pessoas, são principalmente aqueles que possuem também características privadas, como bares, cafés, shoppings centers, enfim, em sua maioria locais relacionados a alguma forma de consumo. Não estou dizendo que isso é uma verdade incontestável, pelo contrário, quero saber a opinião de vocês sobre isso, porque é um assunto que tenho pensando muito.

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Descobrir uma cidade nova

Ontem, em uma conversa que tive com alguns amigos deste ColetivoMS, surgiu um tema que, por diversas razões, tem sido muito presente no meu dia-a-dia. Falavamos sobre diferentes formas de se sentir uma cidade ao conhecê-la em uma viagem.

No meu caso em particular, apesar de gostar muito da sensação de simplesmente andar e me perder por uma cidade, de descobrir lugares inesperados onde menos se imagina, na maioria das vezes utilizo um guia turístico para, claro, me guiar. Entretanto, tenho pensando muito em outras formas de ser “guiado” pela cidade, sem que haja o risco de me tornar um fantoche de algo que alguém escreveu ou julgou ser interessante em determinado lugar. Cada visitante possui uma personalidade e não se pode generalizar estes diferentes tipos de curiosidades. Em meio a isso, comecei a pensar e a ouvir sobre diferentes formas para se fugir dessa situação generalizadora dos guias turísticos.

 Existe uma coleção de livros chamada Cantos do Rio, da Editora Relume Dumará. São pequenos livros que possuem textos ou canções escritas por compositores ou escritores sobre certos bairros ou locais do Rio de Janeiro. Me pareceu incrível a sugestão de conhecer um lugar, turístico ou não, guiada pelos olhos de alguém de tanta sensibilidade e de tentar sentir o que o escritor sentiu naquele momento vivido. Alguns destes livros podem ser encontrados em sebos virtuais.

Outro exemplo são os guias escritos por Ian Nairn, especificamente para Londres (Nairn´s London – 1966) e Paris (Nairn´s Paris – 1968), em que a descrição da cidade se mescla a um postura crítica, com a intenção de mostrar o vigor de uma cidade onde há cultura. Nairn foi um renomado jornalista que escrevia, entre outros temas, sobre arquitetura e urbanismo. Estes guias foram escritos para guiar o leitor pelos seus pontos favoritos na cidade, o que lhe chamava a atenção no dia-a-dia e locais que frequentava no cotidiano. Imagino que seja um tipo de guia muito mais pessoal e para pessoas que gostem de reconhecer as peculiaridades e detalhes das grandes cidades.

Há também diários de bordo de diversos artistas, cheios de croquis e anotações, e inúmeras músicas que falam de cidades, ou ainda, outra forma de que gosto muito é o conhecer uma cidade por meio dos livros. Quando estive em Barcelona, li um livro, La sombra del Viento, cuja história também se passava ali. Foi um ótimo guia, porque, além de despertar minha curiosidade para conhecer diferentes locais da cidade que nele são citados, alguns lugares se tornaram verdadeiros pontos turísticos pessoais, por ser, por exemplo, o local onde uma personagem morava ou algo assim.

Tudo isso para dizer que há diversas maneiras de se relacionar com uma cidade. Às vezes, podemos nos identificar muito mais com outras formas de descobrir uma cidade, na busca de uma vivência mais afetiva com ela.

David Hockney Cameraworks

Este artista, nascido em 1937 em Bradford, Yorkshire, se destacou em diversas formas de representar uma realidade vivida, uma paisagem, um objeto, uma cena cotidiana…Usava a pintura, desenho, litografia, técnicas digitais, etc, mas a forma que, a meu ver, mais se destacou, é a representação de tais cenas por meio da colagem de fotografias digitais ou polariode. Era uma maneira de representar bidimensionalmente o espaço tridimensional.

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É incrível imaginar a concretização deste trabalho, em que pequenas peças fazem um todo. Cada pequena foto com sua especial importância em seu contexto e que ganha mais força e entendimento à medida em que se encaixa com as demais. Na minha opinião, isso resume perfeitamente a idéia da força de um Coletivo.