Reflexões sobre nosso ensino

Outro dia fui ver a apresentação de tese de mestrado de uma amiga da minha mãe, que é professora da rede de ensino público e estava apresentando o seguinte trabalho na PUC:”O novo currículo de ciências físicas e biológicas do estado de são Paulo”.
Era basicamente uma avaliação sobre a proposta curricular que entrou em vigor no estado de SP em 2008. O estudo buscava investigar como isso foi absorvido nas salas de aula, pois trata-se de uma cartilha que diz exatamente o que o professor deve fazer em classe, independente do material que tenha disponível e as especificidades dos alunos de cada escola. Bom, isso me impressionou um pouco, o governo espera que TODOS os estudantes do estado façam os mesmos exercícios, leiam as mesmas frases, tenham as mesmas perguntas etc. Não se trata de um conteúdo básico que deve ser ensinado e será cobrado em provas tipo vestibular, mas sim de pensar que todos os professores vão ler as mesmas frases, fazer as mesmas brincadeiras, estimular os alunos da mesma forma e esperar que os alunos dêem um retorno igual e já pré determinado por esta cartilha. Me pareceu demasiada padronização do ser humano. E isso foi somado a uma outra parte do estudo dela que também me chamou muita atenção, um estudo sobre a historia do ensino de biologia ( ela é professora de biologia) que eu não lembro direito, só lembro de duas fases:
– biologia como estudo do espaço (no período da guerra fria), ou seja, nesse período o Estado jugava mais importante o estudo do espaço, astros, planetas etc, do que outras partes da biologia devido a tudo que ocorria no período.
– biologia sendo sinônimo de sustentabilide (período atual) porque é um dos maiores assuntos em pauta hoje em dia.
Dai eu fiquei pensando, você é uma criança de 10 anos de idade e dependendo do período que você nasceu, voce vai aprender sobre planetas mais do que corpo humano, ou sobre água mais do que planetas, e voce não tem noção nenhuma de que isso foi determinado por inúmeras questões, muitas delas políticas, que estão muito acima de você, e talvez nem sua professora tenha essa noção. Quer dizer, nós não temos noção da infinidade de fatores que está acima de cada indivíduo e que determina uma parte do que ele é. Fiquei pensando que existe uma padronização da qual não se pode fugir, que vem de fora pra dentro, e que vai muito além de moda, corte de cabelo, cor de sei la o que, é sobre o que cada indivíduo é, ou pensa que é.
Bom, essa foi só uma reflexão que tive depois de ver a apresentação da tese, não pretendo de chegar numa resposta…..mas pelo menos fiquei feliz que uma das conclusões do trabalho era que o aspecto de padronização do aprendizado fracassou pois a maior parte dos professores usa a cartilha como uma prescrição do que deve ser feito em sala, mas acrescenta outros pontos, conforme o que possui de recursos em mãos e conforme o conhecimento que tem de seus alunos.

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4 thoughts on “Reflexões sobre nosso ensino

  1. Mari, le 1984. Vc vai curtir mto, o lance da padronização do ser humano é colocado de uma forma assustadora, e a escola tem um grande poder de participação. Admiravel mundo novo também fala disso, os dois são mto legais!

  2. olha só! uma coisa que aprendi em biologia.

    tem algumas coisas que influenciam um ser vivo, uma é a genética, a outra é o ambiente em que vive. portanto não dá pra resumir tudo a uma carga de somos todos iguais independente de onde vivemos (cidade, bairro, meio social).

    bom, isso é uma coisa, mas só falei porque lembrei disso, a outra é que como você pode padronizar alguma coisa desse jeito, isso não existe. óbvio que cada aluno/escola tem necessidades específicas que podem ou não ser semelhantes a de outros.

  3. Nossa Mari, que interessante isso. Eu já imaginava que houvesse uma padronização do ensino, mas não achava que era literalmente um livro de passo-a-passo de como ensinar! Que bizarro, concordo com os comentários acima e é horrível pensar que não temos nem essa liberdade, a de pensar em algo diferente! Desde o começo, na escola (que é o lugar que mais passamos tempo durante a nossa “juventude”), somo condicionados a seguir um livro e suas respostas limitadas. E o pior de tudo é que os educadores também são obrigados a seguir as mesmas regras, que loucura!

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