Descobrir uma cidade nova

Ontem, em uma conversa que tive com alguns amigos deste ColetivoMS, surgiu um tema que, por diversas razões, tem sido muito presente no meu dia-a-dia. Falavamos sobre diferentes formas de se sentir uma cidade ao conhecê-la em uma viagem.

No meu caso em particular, apesar de gostar muito da sensação de simplesmente andar e me perder por uma cidade, de descobrir lugares inesperados onde menos se imagina, na maioria das vezes utilizo um guia turístico para, claro, me guiar. Entretanto, tenho pensando muito em outras formas de ser “guiado” pela cidade, sem que haja o risco de me tornar um fantoche de algo que alguém escreveu ou julgou ser interessante em determinado lugar. Cada visitante possui uma personalidade e não se pode generalizar estes diferentes tipos de curiosidades. Em meio a isso, comecei a pensar e a ouvir sobre diferentes formas para se fugir dessa situação generalizadora dos guias turísticos.

 Existe uma coleção de livros chamada Cantos do Rio, da Editora Relume Dumará. São pequenos livros que possuem textos ou canções escritas por compositores ou escritores sobre certos bairros ou locais do Rio de Janeiro. Me pareceu incrível a sugestão de conhecer um lugar, turístico ou não, guiada pelos olhos de alguém de tanta sensibilidade e de tentar sentir o que o escritor sentiu naquele momento vivido. Alguns destes livros podem ser encontrados em sebos virtuais.

Outro exemplo são os guias escritos por Ian Nairn, especificamente para Londres (Nairn´s London – 1966) e Paris (Nairn´s Paris – 1968), em que a descrição da cidade se mescla a um postura crítica, com a intenção de mostrar o vigor de uma cidade onde há cultura. Nairn foi um renomado jornalista que escrevia, entre outros temas, sobre arquitetura e urbanismo. Estes guias foram escritos para guiar o leitor pelos seus pontos favoritos na cidade, o que lhe chamava a atenção no dia-a-dia e locais que frequentava no cotidiano. Imagino que seja um tipo de guia muito mais pessoal e para pessoas que gostem de reconhecer as peculiaridades e detalhes das grandes cidades.

Há também diários de bordo de diversos artistas, cheios de croquis e anotações, e inúmeras músicas que falam de cidades, ou ainda, outra forma de que gosto muito é o conhecer uma cidade por meio dos livros. Quando estive em Barcelona, li um livro, La sombra del Viento, cuja história também se passava ali. Foi um ótimo guia, porque, além de despertar minha curiosidade para conhecer diferentes locais da cidade que nele são citados, alguns lugares se tornaram verdadeiros pontos turísticos pessoais, por ser, por exemplo, o local onde uma personagem morava ou algo assim.

Tudo isso para dizer que há diversas maneiras de se relacionar com uma cidade. Às vezes, podemos nos identificar muito mais com outras formas de descobrir uma cidade, na busca de uma vivência mais afetiva com ela.

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One thought on “Descobrir uma cidade nova

  1. Ana! penso muito nisso também!

    Lendo agora seu post, lembrei de quando eu li o “Viagem ao Oriente” do Le Corbusier, um livro que ele escreveu aos 23 anos sobre uma viagem que o fez mudar o modo de ver a arte, as cidades e a arquitetura. Ele, um garoto como nós (ele tinha 23 anos, ou 21, não lembro), descobria nessa viagem, com seus croquis e olhar europeu, um novo modo de enxergar as relações na cidade. e, segundo ele, por essa viagem ele começou a fazer arquitetura.

    De outra maneira, quando penso na minha última grande viagem, cada cidade que eu visitei tinha um sentido em particular pelas pessoas que eu conheci, pelo roteiro que eu fiz, pelas relações dentro da minha cabeça e no quanto eu já conhecia daqueles lugares ou descobria andando, me perdendo.

    Acho muito maluco pensar que o que eu vivi ninguém mais viveu ou pode viver, nem eu mesma se voltar algum dia. Pensar na efemeridade de coisas tão sólidas ou tectônicas como são as cidades e a arquitetura, moldadas, lapidadas, modificadas pelo nosso olhar.

    Beijo! dani

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