Mulherada na arte de rua!

Eu curto muito grafite e ultimamente ainda mais. Acho que é uma das poucas formas de intervenção urbana que a gente vê pela cidade, uma forma de interagir com o espaço e de fazer com que esse espaço seja percebido de fato. Vivemos um tempo onde o espaço serve só como dinâmica de movimento, como o “acaso” que nos faz estar ali enquanto na verdade estamos querendo chegar em outro espaço, geralmente privado. Por isso não olhamos, não percebemos e não interagimos, como se não fosse nosso. E o grafite e toda a “street art” estão aí pra inverter um pouco essa lógica.

E se até algum tempo isso era coisa de muleque, vou mostrar três artistas que eu gosto muito e tenho acompanhado o trabalho.

A primeira é a Miso, uma  artista de herança ucraniana chamada Stanislava Pinchuk. Ela tem 21 anos e mora em Melbourne, Austrália. O trabalho que mais chama atenção são os lambe-lambe babushkas (avó, em russo), geralmente em pares, pelas ruas da cidade. As instalações, geralmente femininas, funcionam mesmo como “guardiãs” dos locais onde estão instaladas.

Outra que eu curto muito é uma sul africana que é conhecida como Faith47. Seus desenhos, super fortes e com uma alta carga de crítica social, foram depois mudando pras frases com caligrafias caprichadas que são as mais conhecidas hoje em dia (mas eu ainda preferia a outra fase).

Mesmo com esse apelido, ela disse o seguinte pra Zupi: “Eu não tenho fé em nada. Acredito que tudo é um vácuo, vazio. E ainda assim, tudo é cheio, ao mesmo tempo. Não tenho ilusões de uma religão que possa explicar o porquê de estarmos aqui. Talvez nós sejamos uma unidade com o universo em expansão e estejamos sendo teimosos e lutando contra esse fato, o que na realidade significa que estamos lutando contra nós mesmos. Algo assim”. Seguem as fotos!

Por fim, uma brasileira! A Magrela (ou http://www.magcrua.blogspot.com)é figurinha conhecida da cidade de São Paulo. Em praticamente todos os bairros tem algum desenhos de suas mulheres lânguidas, tristes, quase que se desmanchando pelos muros pálidos de SP (que poético isso #not). Se você começar a prestar atenção, vai ver uma das “magrelas” em todo o canto! A Sinhá também trabalha sempre com ela, mas isso fica pra sua pesquisa! rs

Essa menina largou o curso de Administração e foi desenhar, que era o que ela realmente curtia. E coloca um traço muito característico, sendo reconhecida em qualquer lugar. Agora também lançou umas peças de roupa (a Crua), assim mesmo no Facebook, com estampas lindas e provando que grafite é arte e também se transporta pra qualquer meio de expressão!

Essa é fácil de achar hein?

É isso galerê! Planos de intervir no meio urbano!!! Acaba logo TE-EFE-GE!!! Beijocas

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10 thoughts on “Mulherada na arte de rua!

  1. Que legal, vou prestar mais atenção e tentar “achar” os grafites da Magrela por aí!
    Mas essa mulher de olhos vendados é bem foda, achei que a frase ficou bem com o desenho. Vou pesquisar sobre a primeira fase dela.

  2. Muito legal!!! As três são incríveis! Achei muito legal esse lance das vovós protegendo os lugares, e o trabalho da sul africana é muito foda! Adorei o post!

  3. a magrela eu ja conhecia, mas as outras duas nao…. fiquei mesmo impressionada com os da Miso, dos lambes…. achei muito foda as mulheres guardiãs, além de ser realmente lindo né!!

    vou ganhar S2 também? haha

  4. Nossa, tava vendo o flickr da magrela e o trabalho dela é surreal mesmo! Caramba! não achei o site das roupas…qual é?

  5. Irado Dandan! Eu curto abeça o grafite também não só por ele se importar com o que existe no seu entorno mas também por ele trazer cor, identidade e até uma aura de sonhos para lugares muitas vezes largados. A relação que essa arte tem com a cidade é fantástica e isso é muito claro nos vídeos do JR, que citei no meu post. Uma hora dessas a gente tinha de combinar de sair para fotografar e desenhar uns grafites na cidade.

  6. Vicky, eu nem comentei no seu post, mas eu curti muito! E o trabalho do JR é realmente sensacional e foi por causa dele mesmo que eu achei a MIso! Acho que os dois de alguma forma conversam! Eu to pensando em usar algumas fotos do meu tfg pra fazer uns lambe-lambe e colar pelo Pari! Tá super convidado pra participar!

  7. Ah! acho que ela não tem um site das roupas, não sei… joga magrela no face que aparece ela e tem vários links! aí talvez tenha o site das roupas, que chama crua. No blog dela deve ter alguma coisa também, nao?

  8. Ultimamente tenho olhado muito mais para arte de rua do que “arte convencional”.
    Arte de rua conversa com o espaço urbano, faz sentido, sabe?
    Não é um quadro enquadrado dourado e pomposo pendurado em uma parede toda arrumada e certinha.
    É arte em barraco, em muro quebrado, em concreto, é a cidade!
    To procurando uma referência aqui de uma artista chamada Swoon, que fará parte de uma mostra que começa no MASP esse sábado! Mais detalhes no meu post, que tá saindo!!!!!

  9. Dani,

    ja tinha vista por ai essas paradas!
    La no centro tem um outro tipo de mulher nas intervenções….mas segue a mesma linha.
    Mto bala o texto, e realmente a moldura dessa arte nos atrai muito mais.
    Bjão

  10. Curti bastante Dani, na verdade eu curto muito pelo motivo que você deu no começo, a rua não pode ser só a ligação de dois pontos, tem que ser algo bacana, agradável, parte do dia, já que passamos tanto tempo nos deslocando!

    E as vovós guardiãs são muito boas

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