A natureza de Nigel Peake

Há um mês atrás, mais ou menos, estava numa loja e me deparei com livro que me chamou muita atenção. A capa colorida, as linhas feitas à mão e o título, que num primeiro momento, confundi com outra coisa. In The Wilds – Drawings by Nigel Peake.

Formado em arquitetura, Nigel Peake passou grande parte de sua vida no campo, no norte da Irlanda. Como ele mesmo diz, no livro, “no meio do nada”. Mas era esse “meio do nada” a única realidade – e paisagem – que ele conheceu por muito tempo. É impressionante o quanto é possível sentir a emoção de um artista através da sua arte, quando ela é verdadeira. Durante a introdução do seu livro (aliás, a única parte narrativa com palavras de fato), Nigel conta sobre a sua vida no campo, a sua relação com a natureza, com os seus vizinhos, com a sua família. Enfim, como o fato de ele ter nascido e vivido ali o tornaram a pessoa que ele é.

 

A segunda parte da narrativa vem por meio dos seus desenhos. E, novamente, é encantador: a técnica, a meticulosidade, a percepção do total e dos detalhes, quase que de maneira obsessiva. Tudo o que ele diz na introdução é perceptível nos capítulos seguintes. Por meio de desenhos feitos à mão (com lápis, tinta e aquarela), Nigel representa a paisagem de acordo com as estações do ano; com as diferentes plantações e a época de colheita. Há também desenhos de animais e até a sua interpretação do canto de um pássaro.

Eu sou uma pessoa da “cidade grande” e posso contar nos dedos quantas vezes fui para o campo. Mas diferente de Nigel Peake, o meu olhar ainda não é suficiente para descrever com tanta propriedade essa vida caótica e incansável que São Paulo nos oferece. Mais do que enxergar o que está à nossa frente, é traduzir tudo isso numa emoção, num sentimento que se transforma em arte. No caso de Nigel, suas lindas ilustrações.

“At the moment I live in the middle of nowhere in Ireland and lead an incredibly simple life of working all day and then sleeping.”

Fica a dica para quem se interessar. E fica também a inspiração.

Obrigada, Nigel.

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2 thoughts on “A natureza de Nigel Peake

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