Gui Mohallem

Hoje abre no MuBe a exposição Ensaio para a Loucura, do fotógrafo mineiro Gui Mohallem.

Mohallem tem ainda um blog  coletivo (IHI!) chamado Incubadora junto com os também fotógrafos Breno Rotatori e Felipe Russo onde eles compartilham o processo de construção de suas pesquisas e projetos.

A exposição é uma revisita ao retrato contemporâneo e ao movimento. Mohallem convida os amigos para os retratos e gira junto com eles, enquanto fotografa. Segue aqui o texto curatorial da exposição pra entender melhor:

As vertigens da loucura

O movimento suspende e desordena a narrativa do sujeito: não há rosto, não há roupas, não há traços além de um desordenado borrão de cor, onde a figura se mistura ao fundo, como que por derretimento. O movimento sacode e expõe, ao sublinhá-la ou permitir que seja abandonada, a interseção entre máscara e boa intenção em que vivemos. O movimento exclui o verbo, desestabiliza os termos do sujeito, abre a porta para a irregularidade; o movimento chega de surpresa e nós submergimos nele.

Tudo isso é obtido a partir de uma oferta, de um dos dois lados: o retratado em potencial lê sobre o projeto e se oferece para participar, ou um amigo é convidado. Amigo ou desconhecido, o retratado escolhe um cenário, e nele a foto acontece: gui segura-o pelo braço e começa a girá-lo e a girá-lo, como um lançador de martelo, e a fotografar no caos da rotação.

A firme mecânica que ocorre, bruta, entre os dois corpos (onde um se entrega – se abandona – ao movimento rotatório) faz com que o corpo rode, como as crianças rodam sozinhas em busca da tontura (em busca da instabilidade). Nos metamorfoseamos; imagem já não é nosso retrato: é um fantasma, uma coruja, uma gárgula fundida ao seu cenário – uma pura força cega como os gritos no A Balsa da Medusa; tudo torna-se um desvio, e nos esforçamos para sair do lugar indistinto (e fracassamos necessariamente); chegamos ao caroço da imagem ideal, a nossa imagem, e ela nos diz e não nos diz respeito. É como se o movimento de todas as horas passadas no lugar que escolhemos fossem condensadas, e então o retrato torna-se a molécula da imagem, um ponto mínimo onde o mais fundamental é combinado e reduzido à sua potência, e a força atômica da dor (em melancolia ou perversão) torna-se presente. E cá estamos nós, sem norte ou oriente, jogados como sob uma avalanche, e submersos. E cá estamos nós, perdidos.

Texto curatorial por Gabriel Bogosian

Aqui seguem também seu site –  http://guimohallem.com/

E seu Ficlkr – http://www.flickr.com/photos/gui_mohallem

Vale a visita!

O que? Ensaio para a Loucura, exposição individual de Gui Mohallem
Quando?
Abertura dia 03.09.2011 :: visitação de 04.09.2011 até 02.10.2011 de terça a domingo, das 10h às 19h.
$?
Grátis
Onde?
MuBE :: Sala Burle Marx :: Avenida Europa, 218 – São Paulo, SP

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